Durante anos, o maior inimigo dos projetos incentivados não foi a falta de recurso, mas a falta de tempo.
Os números não mentem: só em 2025 foram mais de R$ 3,41 bilhões investidos em cultura através dessa política pública, abrangendo de projetos sociais à grandes espetáculos. Mas quais as dificuldades dos proponentes, então?
Uma delas é o tempo. Para quem trabalha com projetos voltados ao público infantojuvenil, com foco no desenvolvimento social para além das modalidades culturais, a imprevisibilidade da continuidade interrompia processos justamente quando os primeiros resultados começavam a aparecer. Projetos de 12 meses encerravam seu ciclo no momento em que o impacto começava a se consolidar.
A nova instrução normativa do Ministério da Cultura reconhece algo fundamental: projetos culturais são processos, geram impacto continuado e precisam de tempo para maturação. Trata-se de uma visão mais estratégica da política pública, que dialoga também com o uso mais eficiente dos recursos, afinal, projetos melhor estruturados tendem a gerar impactos mais consistentes e duradouros.
Essa mudança também impacta positivamente no planejamento financeiro das empresas parceiras patrocinadoras. Muitas desejam patrocinar iniciativas de maior fôlego e longo prazo, mas diante de janelas curtas para captação, desistem ou optam por iniciativas pontuais.
Além disso, projetos mais longos podem significar menos desistências por “falta de tempo para captar”, facilitar aportes recorrentes e aumentar a fidelização de patrocinadores.
Se você elabora, executa ou capta projetos incentivados, este é o momento de rever sua estratégia.
Projetos culturais precisam de tempo. A política pública começou a entender isso. E você?

